sábado, 24 de outubro de 2009

Vícios viscerais

as coisas acontecendo em um ritmo frenético que mal é possível dedicar a isso aqui, acolá.
um mundo se reproduzindo entre fatos, aquiescências em um novo conceito, sob um novo olhar, cada vez mais distanciado do tocável e próximo do, supostamente, essencial.

a saber das vantagens em somente observar. ao longe a visão é invariável, não existem partes ou pedaços que sobressaem em detrimento de outros em desvantagem. vê-se tudo em uniformidade. sem privilégios. sem preferências.

o entorpecimento da miragem pode ser mais gratificante que a exatidão de um fitar.

o universo parece cada vez mais restrito e abrangente. restrito pq constantemente se subtrai, se particulariza, seja por escolha; por indisposição, ou por mero metodismo.
mas, lá tá o mundão em cores e luzes que encantam, transportam e, tão sedutor, contrai.

permanecendo, assim, contraída...

até que alguém bata à porta, até que um riso a desconserte ou até que nada disso mais faça sentido e ela vire novamente uma refém do amor, abreviada.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sonetos Mudos.

E saber que com o passar do tempo distanciamo-nos da origem para aproximarmos do final.
Deus, de algum modo, passa a se tornar a esperança de uma futura companhia estável.
Porque a solidão é triste, principalmente quando não sabemos para onde vamos.

Diante das lembranças, amigos e amores, todos eles adormecidos, tantos distanciamentos, me pego indagando por quais motivos eu me levanto as 5:45 todos os dias. Possível pelo fato de chegar as 23:00 e beber uma xícara de café adocicada pela emotiva prosa de minha mãe.

De qualquer maneira, eu ainda injeto-me motivações.
Percebi. Não dá mesmo para sustentar-me sem.
E me pego apreciando as maiores banalidades, antes extremamentes discriminadas e depreciadas.
Essa "braçada" ajuda, enquanto me reprime, mais e mais.

Envelheço e percebo o quanto necessito das pessoas. Ainda que para vê-las.
E o quanto me distancio delas.
Revolta, rebeldia e rigidez acabam por se decompor pelo receio de não se conviver junto. em conjunto.
Ou, de permanecer mais só.

sábado, 15 de agosto de 2009

Enquanto a inspiração não chega...

Compartilho uma crônica.

Um livro aberto

A vida de José Sarney é um livro aberto, que poderia dar um ótimo romance nas mãos de um escritor competente. A fabulosa trajetória de Ribamar, o cordial, que nasceu nos cafundós do Brasil, tinha pretensões literárias, e entra para a política, fica rico e poderoso apoiando a ditadura militar e, por um golpe de sorte quase inverossímil, se torna presidente da República e membro da Academia Brasileira de Letras.


Mas a história termina mal, quando o patriarca, tentando salvar o filho das garras da Polícia Federal, volta pela terceira vez à presidência do Senado e se desmoraliza como pivô de uma crise sangrenta e devastadora, quando o seu caráter e seus malfeitos são revelados e o tornam símbolo do político patrimonialista e atrasado que o País não aceita mais.


Um político que serve à ditadura militar durante 20 anos, que preside o partido que a apoiou no Congresso, que finge ignorar as prisões, torturas e assassinatos cometidos pelo governo que sustentava por livre vontade e puro oportunismo, e mesmo assim se diz um paladino da democracia e se orgulha de sua biografia. E tenta reescrever a sua história apostando na retórica e na desmemória do povo, e na sua habilidade e falta de escrúpulos para construir alianças políticas. E quase chega a convencer, com sua imagem de vovozinho amoroso e de homem educado, cordial e tolerante. Parece García Márquez. Bem escrita, poderia ser uma ótima história. Como ficção, não biografia.


Ribamar, o personagem, não mente, faz ficção na política, na administração e nas suas relações com o patrimônio público. E as suas ficções são inverossímeis e sentimentais, cheias de chavões e pieguices, sua biografia imaginária não convence nem diverte e nem emociona, como um livro ruim. Vida e obra se misturam e se completam.


Em seus delírios ficcionais, ele ainda imagina um happy end. Mas nenhum editor aceitaria um final assim, porque o leitor não acreditaria, ninguém publicaria. Só a gráfica do Senado. Mesmo assim ele vai à luta, em defesa do clã, e tem um final melancólico, abandonado pelos aliados que considerava mais fiéis: Lula, Collor e Renan.

Por: Nelson Motta

Daqui: Sintonia Fina

sábado, 4 de julho de 2009

A Vida é Bela.

Se os humanos vivem de estímulos, acredite! Importante experimentar.
Quebrar protocolos, mudar de endereço, assumir o comando, perder a direção, consternar-se, permitir-se ao novo e estranho, fugir e voltar.... sem compromisso.

Como uma genuína ariana dependo disso. Não dá mais para apenas viver, é possível e preciso muito mais do que isso, é possível e preciso marcar passagem, absorver de tudo, um todo, num todo.

Sinto-me, sensorialmente, viva.

Sei dos que amo, sei dos que amei e ainda amo. Mas sei, também, que não preciso tê-los adjacentes à mim.

Cuido de algo:
Amar, sem devaneios.
Viver em devaneios.

Nessas minhas incansáveis odisséias em busca do sagrado combustível espiritual, desprezando respostas, quase sempre me delicio.

Ensaiando discursos ideológicos, colho frutos, bons frutos e planto sementes. Volto contente para casa com as mãos embaladas pelo vento....

Perder-se sem se perder.

E para não dizer que não falei das flores:
Sábado acontecerá um evento muito importante, idealização de um retorno e inauguração de um novo ciclo, uma nova experiência.

Com muita nobreza, por uma causa nobre.



Gostaria muito, mas muito de verdade, que alguém daqui fosse.
Prometo uma noite, assim, inesquecível.